Políticas públicas e acesso à saúde no Brasil: revisão integrativa de evidências em Saúde Pública e Saúde Coletiva
Palavras-chave:
Acesso aos Serviços de Saúde, Atenção Primária à Saúde, Política de Saúde, Saúde Coletiva, Sistema Único de SaúdeResumo
Objetivo: analisar como as evidências científicas recentes caracterizam os efeitos das políticas públicas sobre o acesso à saúde no Brasil. Método: realizou-se revisão integrativa nas bases SciELO e PubMed, abrangendo artigos publicados de 2020 a 2025. As buscas combinaram termos relacionados a políticas públicas, acesso aos serviços de saúde, Sistema Único de Saúde, atenção primária, desigualdades e Brasil. Doze estudos que atenderam aos critérios de elegibilidade foram analisados por síntese temática. Resultados: as evidências indicam que o Sistema Único de Saúde e a Estratégia Saúde da Família permanecem mecanismos essenciais para o acesso universal, mas o direito formal não assegura cuidado oportuno, contínuo e equitativo. Distribuição geográfica dos serviços, regras de financiamento, composição das equipes, raça, renda, escolaridade, deficiência e pertencimento indígena condicionam a obtenção do cuidado. Mudanças recentes no financiamento da atenção primária criaram incentivos ao cadastro e ao desempenho, ao mesmo tempo que suscitaram preocupações sobre instabilidade dos repasses, seletividade dos indicadores e enfraquecimento da orientação comunitária. A saúde digital pode reduzir distâncias e melhorar a coordenação, mas também reproduzir exclusões onde há baixa conectividade e letramento digital. Conclusão: ampliar o acesso requer financiamento estável e redistributivo, atenção primária territorial, equipes multiprofissionais, infraestrutura acessível, políticas antirracistas e culturalmente adequadas e estratégias digitais integradas ao cuidado presencial. O acesso deve ser monitorado por disponibilidade, primeiro contato, continuidade, integralidade, aceitabilidade e uso efetivo, e não apenas pelo cadastro.
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