Desafios para a implementação do método canguru na prática da enfermagem
Palavras-chave:
Método Canguru, Terapia Intensiva Neonatal, Recém-Nascido, Aleitamento MaternoResumo
O Método Canguru (MC), recomendado pela Organização Mundial da Saúde, é uma estratégia assistencial voltada ao cuidado de recém-nascidos pré-termo e de baixo peso, baseada no contato pele a pele precoce e contínuo, no estímulo ao aleitamento materno e na participação ativa da família. Evidências científicas apontam benefícios significativos, como melhor controle térmico, maior estabilidade fisiológica, redução do estresse, diminuição do tempo de internação e redução da morbimortalidade neonatal. Apesar de sua efetividade, a implementação do método ainda enfrenta desafios no contexto hospitalar, especialmente relacionados ao processo de trabalho da equipe de enfermagem. Nesse sentido, este estudo teve como objetivo analisar os principais desafios enfrentados pela enfermagem na implementação do Método Canguru, bem como suas repercussões na prática assistencial. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, de abordagem qualitativa e caráter descritivo-analítico. A busca foi realizada entre agosto de 2025 e maio de 2026, nas bases de dados Scientific Electronic Library Online (SciELO), PubMed e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS/Bireme). Foram incluídos artigos publicados entre 2016 e 2025, disponíveis na íntegra, nos idiomas português, inglês e espanhol, relacionados à temática proposta. Após a aplicação dos critérios de elegibilidade, seis estudos foram selecionados para análise. Os resultados evidenciaram como principais barreiras o déficit de capacitação profissional, a sobrecarga de trabalho, as limitações estruturais dos serviços, a resistência institucional e as dificuldades na inserção da família no cuidado. Conclui-se que o enfrentamento desses desafios requer investimentos em educação permanente, melhoria das condições de trabalho e fortalecimento das práticas humanizadas, a fim de qualificar a assistência neonatal e ampliar a efetividade do Método Canguru.
Referências
Almeida, R. S., et al. (2021). Educação permanente em enfermagem neonatal e qualificação da assistência humanizada. Revista Brasileira de Enfermagem, 74(2). https://doi.org/10.1590/0034-7167-2020-0100
Alves, F. N., et al. (2020). Impacto do método canguru sobre o aleitamento materno de recém-nascidos pré-termo no Brasil: Uma revisão integrativa. Ciência & Saúde Coletiva, 25(11), 4509–4520. https://doi.org/10.1590/1413-812320202511.29942018
Bilotti, C. C., et al. (2016). Método mãe canguru para recém-nascidos de baixo peso: Revisão da literatura. Saúde e Pesquisa, 9(3), 587–595. https://doi.org/10.17765/1983-1870.2016v9n3p587-595
Boundy, E. O., Dastjerdi, R., Spiegelman, D., Fawzi, W. W., Missmer, S. A., Lieberman, E., Kajeepeta, S., Wall, S., & Chan, G. J. (2016). Kangaroo mother care and neonatal outcomes: A meta-analysis. Pediatrics, 137(1), e20152238. https://doi.org/10.1542/peds.2015-2238
Bueno-Pérez, I., Martín-Vázquez, C., Martínez-Angulo, P., Calvo-Ayuso, N., & García-Fernández, R. (2025). Impact of the kangaroo mother care method on weight gain in premature newborns: Systematic review. BMC Pediatrics, 25, 365. https://doi.org/10.1186/s12887-025-05597-6
Campanha, P. de P. A., et al. (2024). Exclusive breastfeeding and length of hospital stay in premature infants at a Brazilian reference center for kangaroo mother care. Jornal de Pediatria, 100(4), 392–398. https://doi.org/10.1016/j.jped.2024.01.004
Chan, G. J., et al. (2016). What is kangaroo mother care? Systematic review of the literature. Journal of Global Health, 6(1), 010701. https://doi.org/10.7189/jogh.06.010701
Luz, S. C. L., Backes, M. T. S., Rosa, R. da, Schmit, E. L., & Santos, E. K. A. dos. (2022). Método Canguru: Potencialidades, barreiras e dificuldades nos cuidados humanizados ao recém-nascido na UTI neonatal. Revista Brasileira de Enfermagem, 75(2), e20201121. https://doi.org/10.1590/0034-7167-2020-1121
Mohammadi, F., et al. (2022). Effectiveness of kangaroo mother care on maternal resilience and breastfeeding self-efficacy using the role-play method in a neonatal intensive care unit. Boletín Médico del Hospital Infantil de México, 79(4), 228–236. https://doi.org/10.24875/BMHIM.21000193
Reichert, A. P. da S., Soares, A. R., Bezerra, I. C. da S., Guedes, A. T. A., Pedrosa, R. K. B., & Vieira, D. de S. (2021). Terceira etapa do método canguru: Experiência de mães e profissionais da atenção primária. Escola Anna Nery, 25(1), e20200077. https://doi.org/10.1590/2177-9465-EAN-2020-0077
Stelmak, A. P., & Freire, M. H. de S. (2017). Aplicabilidade das ações preconizadas pelo método canguru. Revista de Pesquisa: Cuidado é Fundamental Online, 9(3), 795–802. https://doi.org/10.9789/2175-5361.2017.v9i3.795-802
Whittemore, R., & Knafl, K. (2005). The integrative review: Updated methodology. Journal of Advanced Nursing, 52(5), 546–553. https://doi.org/10.1111/j.1365-2648.2005.03621.x
WHO Immediate KMC Study Group. (2021). Immediate “kangaroo mother care” and survival of infants with low birth weight. The New England Journal of Medicine, 384(21), 2028–2038. https://doi.org/10.1056/NEJMoa2026486
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
ARK
Licença

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.















